A manhã é sempre a mesma em suas rotinas, às vezes mais intensa, às vezes menos intensa. Acordando, higienizando, preparando, marcando território, tendo discussões. Manhãs que já arrebentam quentes, progressivamente à medida que se passam os meses. Desço de carro até o trabalho para ver as mesmas pessoas envolverem se em intrigas e gestos de afeto de uma maneira tão intricada de se perceber sutilmente. Às vezes mais drasticamente. Até falei com a minha mulher que a vida em empresas parece um BBB de um querendo eliminar o outro. E falei com a Regina que quando se junta mulheres aumenta muito a falsidade, mais que entre homens. Nesse clima de degladiar-se, deglutir-se eu me escondo como querendo não participar, como querendo agradar, como se pudesse passar entre as fileiras de corpos sem levar um tapa no rosto, sem sentir-me exposto, sem ouvir uma crítica, algo que afaga ou mesmo vontade de sentir alguma coisa mais profunda por alguém. O gerente mostrando-me o crachá pra dizer quem manda é algo hilário porque ele é mais um escravo da honestidade e da ignorância e do bom mocismo, que apesar de tudo e da sua humanidade ele acaba sendo.
São dezenove horas, preciso entrar pra aula.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário